domingo, 23 de outubro de 2011

Wagner Bellini, um apaixonado pelo jornalismo e pelo esporte

Por Paula dos Santos



Wagner José Bellini morreu em 26 agosto de 2009, há pouco mais de dois anos, mas sua contribuição para o jornalismo esportivo da região foi forte o suficiente para ser uma referência consolidada.

Pelos antigos companheiros de trabalho, ele é lembrado como um grande apaixonado pelo esporte, pelo futebol em especial, e pelo jornalismo. Paixões que começaram muito cedo. Para a família, foi uma inspiração, como mostra a seção "Memória" desta edição.

Tico-Tico ou Bilu, como era tratado pelos mais íntimos, tornou-se repórter de campo ainda adolescente e passou décadas viajando para cobrir os jogos da Ferroviária. Criou polêmica nos bastidores do esporte, fez opositores que respeitaram suas opiniões e colecionou amigos.

Sem deixar os estúdios de rádio, Bellini foi também editor de Esportes da Tribuna Impressa por dez anos, onde também deixou a marca de uma figura bondosa. "Ele foi uma das primeiras pessoas que conheci quando vim para Araraquara em 1975 e, a partir daí, aprendi muito com ele", conta José Roberto Fernandes, que trabalhou com Wagner Bellini por 22 anos e o considerava um membro da família. Juntos, fizeram grandes transmissões e também mediaram debates e discussões sobre esporte marcantes para a cidade. "Sempre estive em constante aprendizado com ele. Além de um grande profissional, ele foi um irmão para mim", ressalta.

Para Carlos Alberto Baldassari, Bellini foi um professor nos dez anos de convívio profissional. "Quando o conheci, eu era operador da rádio. Tudo o que sei hoje aprendi com o Wagninho", afirma.

Nas lembranças das horas que passaram juntos, Baldassari guarda a figura de um Bellini muito extrovertido, brincalhão, sempre aprontando alguma coisa ou colocando um apelido em alguém. "Ele era muito humilde. Apesar de ser reconhecido por muitos profissionais e de ser famoso, ele não tinha estrelismo e foi uma pessoa fantástica."

‘Legal, legal’

Wagner Bellini também era conhecido pelo bordão ‘legal’, com o qual começava e terminava as transmissões de rádio. "Ele era conhecido assim. As pessoas ouviam o ‘legal’ e já sabiam que o Wagner estava no ar", explica José Roberto Fernandes, que agora começa toda transmissão dizendo "Estamos aqui na Central de Esportes Wagner Bellini" para homenagear o amigo. "Enquanto eu estiver vivo, vou falar o nome dele em todo programa. Ele tem de ser lembrado", afirma, sobre o homem que se orgulhava de um dia ter sido colocado para dentro do vestiário do Santos, na Vila Belmiro, pelo próprio Pelé.

Eu lembro

‘Uma vez, quando fomos cobrir um jogo do Botafogo e da Ferroviária em Ribeirão Preto, o Wagner ficou parado em cima de uma mureta na entrada do jogo. Uma hora ele se desequilbrou e caiu no chão. O microfone dele quebrou todo e a torcida começou a gritar ‘caipira, caipira!’ para ele. Eu estava chorando de rir e a gente se divertiu muito naquele dia e deu boas risadas. O Wagner sempre foi assim, divertido e sossegado.’ Carlos Alberto baldassari
Radialista

Inspiração para os filhos

Por mais que Wagner Bellini trabalhasse e viajasse, ele sempre foi um pai presente e querido pela família. Para Thiago Bellini, o filho mais novo, o pai foi uma inspiração. "Quando eu tinha 11 anos, meu pai me deu um toca-discos e foi com ele que eu comecei a aprender e me apaixonar por rádio e por música."

Entre os 8 e 13 anos, ele saía da escola e ia para a rádio acompanhar o pai na apresentação dos programas. E foi assim que ele aprendeu a mexer nos equipamentos que o acompanhariam em seu dia a dia profissional

Enquanto Thiago se ‘transformava’ em DJ, o irmão Emerson formava-se na escola do pai e tornava-se jornalista. "Meu pai era supercalmo e tranquilo em casa, vivia assitindo ‘Tom & Jerry’ na televisão e ria sozinho", lembra.

Wagner foi um pai amoroso, que sempre apoiou os filhos. "Eu me acostumei a ouvir meu pai na rádio, a ler os artigos dele, as matérias dele. Mesmo ele estando longe, viajando, podia estar perto de mim porque eu estava ouvindo a voz dele pela rádio."

FONTE:  SITE DO ARARAWUARA.COM

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