terça-feira, 26 de junho de 2012

Editorial da Folha de S.Paulo critica imposição da Voz do Brasil

O projeto que visa a flexibilização da transmissão do programa governamental Voz do Brasil ganhou mais um apoio. Em seu editorial desta segunda-feira, a Folha de S.Paulo critica a imposição da transmissão do programa e elogia a iniciativa do projeto e, sugere, ainda, a extinção da obrigatoriedade da transmissão e até mesmo o fim do programa.

De acordo com a publicação, intitulada “A voz de Getúlio Vargas”, o Brasil carrega em seu DNA institucional várias pequenas heranças de origem fascista. Elas incluem a força despropositada das corporações profissionais, a estrutura sindical baseada em contratos coletivos de trabalho e contribuições compulsórias. Nenhuma, porém, se iguala ao programa radiofônico "A Voz do Brasil", que todas as emissoras do país estão obrigadas a transmitir, de segunda a sexta-feira, sempre às 19h, ritual decrépito que se repete com poucas interrupções desde 22 de julho de 1935.

Ainda segundo a Folha de S.Paulo, a iniciativa se inspira em ideologia das mais totalitárias. O indivíduo não existiria fora do Estado, única instituição capaz de oferecer-lhe os valores de que necessita. O núcleo do poder político se encarregaria de produzir diariamente noticiário de uma hora, com difusão obrigatória. O cidadão até poderia desligar o rádio, mas, se quisesse ouvir algo, não poderia fugir do oficialismo edificante.

O editorial detalha ainda que a cartilha fascista se reproduz até na divisão do programa, que é meticulosamente repartido entre os Poderes da República: o Executivo tem 25 minutos; o Judiciário, cinco; senadores dispõem de dez minutos; deputados federais contam com 20. Num detalhe que resume a essência do corporativismo mussoliniano, às quartas-feiras o Tribunal de Contas da União ganha o seu minuto, cedido às vezes pelo Executivo, às vezes pela Câmara.

A Folha ressalta, porém, a informação da votação da flexibilização da transmissão do programa, dada pelo presidente da Câmara dos Deputados, deputado Marco Maia, durante o 26º Congresso Brasileiro de Radiodifusão, como uma boa notícia. A publicação afirma ainda que seria melhor se o Congresso acabasse de vez com a obrigatoriedade e, por que não, com o próprio programa, que custa caro aos cofres públicos.

fonte: tudo rádio

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