quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Rádio brasileiro comemora 90 anos com FM em plena boa forma e o AM pedindo socorro

Editorial - Amanhã (7 de setembro) o rádio brasileiro comemora 90 anos de trabalhos, marca alcançada com um meio FM em plena boa forma quando o assunto é audiência enquanto o AM respira por aparelhos. A internet já é uma realidade nessa mídia e tem ganhado espaços à medida que passa a ser encarada como uma aliada ao invés de concorrente do chamado “rádio convencional”. Com 90 anos nas costas e sem uma definição do padrão de rádio digital no país, o futuro do rádio ainda é baseado em especulações do mercado, porém alguns números de pesquisas feitas no setor podem auxiliar numa eventual previsão para o caminho que o mercado deve seguir. Acompanhe o nosso editorial:


Aliado a situação apresentada existem situações bem distintas quanto à comercialização do meio (variando conforme as praticas de cada mercado e as administrações das estações), investimentos em marca e também em tecnologia. O rádio digital ainda é uma promessa no Brasil com a definição restrita entre os sistemas IBOC (padrão norte-americano, sendo uma escolha provável segundo técnicos que atuam no setor) e o DRM (europeu).


Hoje as estações de rádio em FM no país são as “locomotivas” do meio, registrando índices expressivos de audiência em praticamente todos os mercados brasileiros. O “teto” (média máxima de cada rádio) registrado pelas pesquisas do Instituto Ibope tem caído entre boa parte das FMs brasileiras, situação motivada pelo crescimento no número de estações em todas as regiões do país. A segmentação também é algo evidente no meio FM, tendo em vista que nomenclaturas “popular”, “jovem”, “jornalísticas”, entre outras, já possuem sub-divisões para definir um projeto artístico. Isso diminui o teto, porém a expectativa do mercado é que a segmentação de gêneros valorize o produto rádio.


Pontos fortes do FM: investimentos na qualidade de transmissão e áudio são os pontos chaves do setor e parte das rádios brasileiras presentes nos grandes centros tem investido na área técnica. Também há a expectativa que o prometido rádio digital poderá fazer poucas mudanças ao atual cenário do FM, esse que é impulsionado pela facilidade de captação de suas ondas e o aumento no número de receptores com essa tecnologia (amplamente presente na maioria dos celulares, sons automotivos, entre outros aparelhos. Recentemente o Tudo Rádio publicou uma coluna sobre os “novos rádios” (saiba mais clicando aqui). Não há limite para o número de ouvintes atingidos por uma transmissão em FM, além do custo praticamente nulo para acessar esse conteúdo.


Deficiências do FM: pirataria no espectro FM (causando interferências) e problemas de faturamento devido à má exploração dos mercados que são alvos das FMs. O rádio geralmente é encarado como uma mídia de segunda linha em relação à rentabilidade e destinação dos investimentos por parte das agencias que atuam voltadas ao setor, ignorando a expressiva cobertura e impacto causado pelas FMs. Há anos que a principal reclamação das emissoras está relacionada à pratica comercial.


Durante muitos anos o AM foi deixado de lado em várias cidades brasileiras, permanecendo forte em determinados mercados. A tendência é de esvaziamento por parte da audiência nessas faixas devido à dificuldade de se sintonizar uma estação em AM. Esse problema é motivado pela ausência de receptores de rádio AM em aparelhos eletrônicos de uso diário (como celulares), interferências no sinal nos grandes centros (apesar do AM ser conhecido por atingir grandes distâncias, principalmente no período noturno) e também a qualidade do áudio. Existem duas expectativas positivas relacionadas ao meio AM: migração da programação das AMs para os canais 5 e 6 de TV analógica (fato que disponibilizaria essas rádios em faixa FM, saiba mais clicando aqui) e também a digitalização do rádio (o AM seria o principal beneficiado, com o áudio das transmissões nessa faixa ficando equivalente ao já conhecido no FM analógico).



Aos poucos esse veículo de rápida evolução deixa de ser encarado como um concorrente do rádio em FM/AM e passa a ser um importante aliado. Os números de audiência de uma rádio via internet estão bem longe de atingir as marcas obtidas no FM e o crescimento apresentado no mundo on-line ainda está longe de fazer frente transmissões “convencionais”. Custos e falhas nas redes de celular atrapalham essa evolução que é data como “futuro do rádio”, porém com data incerta para ocorrer. Porém as emissoras que estão tratando a internet como mais um importante canal de relacionamento com sua audiência já obtém resultados positivos no mundo on-line, isso nas áreas comercial e de retorno de marca dessas estações. A internet também pode auxiliar na popularização de uma sintonia em FM ou AM, já que o mundo on-line pode servir de “propaganda” para as ditas transmissões “convencionais”.


Amanhã, 7 de setembro, o Tudo Rádio vai trazer um especial sobre a história do rádio brasileiro e nos próximos dias a redação do portal irá acompanhar as tendências e decisões voltadas ao setor. Veja também o que já foi publicado através das manchetes listadas na sequência (que auxiliaram na interpretação do panorama apresentado nesse editorial).


FONTE TUDO RÁDIO

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