segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Padrão de rádio digital será escolhido por aspectos técnicos e econômicos

O Ministério das Comunicações realizou ontem em Brasília um seminário para discutir a implantação do padrão de rádio digital no Brasil. A pasta continua monitorando os testes que estão sendo realizados em várias rádios brasileiras e, segundo os participantes, a escolha terá como base aspectos geográficos e também socioeconômicos.

De acordo com o secretário-executivo do Ministério das Comunicações, Cezar Alvarez, “quando avaliarmos as opções, teremos também de levar em consideração os aspectos econômicos do padrão, porque não podemos ter um equipamento que seja muito caro e se torne inacessível para a população”. Ele citou como exemplo os Estados Unidos, onde um aparelho receptor de rádio digital custa pelo menos US$ 49, valor relativamente alto.

Como uma das preocupações do MiniCom em relação à realização dos testes é a questão geográfica no Brasil, os equipamentos passarão por avaliações em cidades com diferentes características de relevo, como Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília. A expectativa é que os testes na tecnologia DRM, de origem europeia, sejam finalizados até março do próximo ano. Também deverão ser realizados testes com a tecnologia americana IBOC.

Mas, ainda segundo o secretário-executivo do MiniCom, todas as avaliações somente serão divulgadas depois de concluídos os testes com as variadas tecnologias. Ele informou que o objetivo é aplicar maior isenção à testagem e evitar conflitos de interesses entre os proprietários dos padrões a serem testados.

Alvarez destacou a importância do rádio para pequenas cidades e também para regiões mais afastadas. Ele citou o exemplo da Amazônia, onde grande parte da população obtém informações sobre o que está ocorrendo no país e no mundo por meio das emissoras de rádio. “O rádio é o meio de comunicação por excelência, porque supera as fronteiras geográficas e sociais”, disse Alvarez.

Representantes da tecnologia americana IBOC (In band on Chanel) e da europeia DRM (Digital Radio Mondiale), participaram do primeiro painel do seminário. O representante do consórcio DRM, Alexander Zink, destacou a qualidade do áudio e a abrangência da cobertura do sistema europeu. Ele destacou a compatibilidade do modelo com o sistema brasileiro e reforçou a flexibilidade do DRM, que é capaz de transmitir o sinal analógico e o digital de maneira simultânea, nas faixas AM e FM. Alexander reforçou que o modelo europeu tem uma melhor utilização das frequências disponíveis, sendo que em um mesmo canal é possível transmitir até quatro programas canais de áudio simultaneamente.

Em seguida, o representante do sistema norte-americano IBOC, John Schneider, fez um retrospecto da criação do sistema, também chamado de HD Radio. Entre os principais pontos, ele destacou a vantagem do modelo americano de transmitir sinais híbridos, que transportam as informações tanto de maneira digital quanto analógica, utilizando a mesma frequência. John Schneider revelou que mais de 80% dos Estados Unidos já estão cobertos com o sinal de rádio digital e o México decidiu pela adoção do sistema em junho.

O professor Gunnar Bedicks, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, defendeu em sua palestra a possibilidade de o Brasil desenvolver um sistema próprio de rádio digital, com adaptações. Gunnar lembrou que o mesmo ocorreu no processo de adoção do modelo nipo-brasileiro de TV digital , o ISDB-T, que hoje vem ganhando a adesão de vários países em todo o mundo.

O professor fez também a ressalva de que a adoção do sistema de rádio digital deve levar em consideração as particularidades da radiodifusão brasileira, com destaque para as rádios AM, de Ondas Tropicais e de Ondas Curtas. “Não é a adoção de uma tecnologia que vai transformar uma AM. É preciso outros investimentos, como em equipamentos”, ressaltou.


FONTE: ABERT E TUDO RÁDIO

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